Muitos são os desafios de ser
pesquisador, desafios esses que são em número ainda maior se se tratar de
pesquisa em Ciências Humanas no Brasil. Na área da Educação se tem percebido,
como já haviam apontado Campos (2009) e Gatti (2012), que os estudos estão
submetidos a novas exigências de qualidade, tendo que lidar até mesmo com certa
desconfiança e frustração em relação às pesquisas acadêmicas, seja por não darem
conta de fundamentar decisões a curto e médio prazo ou por uma hiper
reflexividade contemporânea, em que o senso comum impele a fazer de qualquer um
“especialista” e que não poupa nenhum objeto e a escola menos ainda.
As autoras acima citadas também
deixam claro que a preocupação com alguns aspectos relativos à validade dos
trabalhos de pesquisa da área tem a ver com a consistência do campo
investigativo em Educação, principalmente no sentido de se
atentar para as teorizações e conceitos, na colocação clara do objeto e/ou problema
ou ainda para superar as dificuldades comunicacionais e interpretativas nesse
campo de investigação na interlocução com outros campos e nos contextos sócio-políticos.
Ainda como uma revisão das
pesquisas em Educação, Campos (2009) e Gatti (2012) alertam que existe uma
cobrança com relação ao caminho que percorre os achados dessas pesquisas.
Afirmam que o
conhecimento em Educação nasce da e com a prática e deve aí retornar tendo
consistência e impacto, desde que se faça uma construção axiológica (estudo de
valores) e que ao invés de um confronto entre esses dois modos de
conhecer e agir, o da pesquisa acadêmica e o das experiências vividas, espaços
sociais de temporalidades diversas e interações complexas, seria mais
interessante a possibilidade de um diálogo aberto, que nem sempre vai produzir
consensos, mas que teria o potencial de contribuir para avanços, tanto na prática
pedagógica como na própria pesquisa.
As pesquisas em Educação devem,
portanto, ter um rigor em termos de enunciados contando com um repertório
bibliográfico amplo e um domínio metodológico que permita uma criatividade
construtiva do pesquisador tanto na fundamentação do seu problema, como na
atribuição de significados dos dados que produz no campo empírico.
Referências:
CAMPOS, M. M. Para que serve a
pesquisa em educação? Cad. Pesqui. [online]. 2009, v.39, n.136, pp. 269-283.
ISSN 0100-1574.
GATTI, Bernadete A. A construção
metodológica da pesquisa em educação: desafios. RBPAE ‑ v. 28, n. 1, p. 13‑34,
jan/abr. 2012.