terça-feira, 28 de julho de 2020

Desafios da pesquisa em Educação

Muitos são os desafios de ser pesquisador, desafios esses que são em número ainda maior se se tratar de pesquisa em Ciências Humanas no Brasil. Na área da Educação se tem percebido, como já haviam apontado Campos (2009) e Gatti (2012), que os estudos estão submetidos a novas exigências de qualidade, tendo que lidar até mesmo com certa desconfiança e frustração em relação às pesquisas acadêmicas, seja por não darem conta de fundamentar decisões a curto e médio prazo ou por uma hiper reflexividade contemporânea, em que o senso comum impele a fazer de qualquer um “especialista” e que não poupa nenhum objeto e a escola menos ainda.

As autoras acima citadas também deixam claro que a preocupação com alguns aspectos relativos à validade dos trabalhos de pesquisa da área tem a ver com a consistência do campo investigativo em Educação, principalmente no sentido de se atentar para as teorizações e conceitos, na colocação clara do objeto e/ou problema ou ainda para superar as dificuldades comunicacionais e interpretativas nesse campo de investigação na interlocução com outros campos e nos contextos sócio-políticos.

Ainda como uma revisão das pesquisas em Educação, Campos (2009) e Gatti (2012) alertam que existe uma cobrança com relação ao caminho que percorre os achados dessas pesquisas. Afirmam que o conhecimento em Educação nasce da e com a prática e deve aí retornar tendo consistência e impacto, desde que se faça uma construção axiológica (estudo de valores) e que ao invés de um confronto entre esses dois modos de conhecer e agir, o da pesquisa acadêmica e o das experiências vividas, espaços sociais de temporalidades diversas e interações complexas, seria mais interessante a possibilidade de um diálogo aberto, que nem sempre vai produzir consensos, mas que teria o potencial de contribuir para avanços, tanto na prática pedagógica como na própria pesquisa. Para Campos (2009, pp. 281-282) “a pesquisa não pode fornecer respostas prontas ao sistema de ensino. Seus resultados constituem elementos importantes a serem levados em conta nas decisões, mas não são os únicos e nem podem ser incorporados sem mediações”.

As pesquisas em Educação devem, portanto, ter um rigor em termos de enunciados contando com um repertório bibliográfico amplo e um domínio metodológico que permita uma criatividade construtiva do pesquisador tanto na fundamentação do seu problema, como na atribuição de significados dos dados que produz no campo empírico.


Referências:

CAMPOS, M. M. Para que serve a pesquisa em educação? Cad. Pesqui. [online]. 2009, v.39, n.136, pp. 269-283. ISSN 0100-1574.

GATTI, Bernadete A. A construção metodológica da pesquisa em educação: desafios. RBPAE ‑ v. 28, n. 1, p. 13‑34, jan/abr. 2012.